Sucena Shkrada Resk


Usinassolares: do protagonismo chinês às iniciativas que começam a se destacar timidamente na matriz nacional brasileira

08/03/2018 13:00
Por Sucena Shkrada Resk
 
A energia solar fotovoltaica se projeta de forma gradativa no mundo, desde os anos 2000. No contexto das implementações de usinas e fazendas solares (fontes centralizadas), estão a China - ainda o maior poluidor do mundo, por causa do carvão, e ao mesmo tempo o maior investidor em energia renovável -, o Japão, a Alemanha e os EUA, com destaque ao estado da Califórnia, independente da atual política ambiental retrógrada de Donald Trump e a Índia, entre outros países. Apesar dessa ordem no ranking se alterar continuamente nos últimos anos, à medida que há novos empreendimentos, estas nações têm se destacado historicamente no fomento desta matriz. Isso sem falar especificamente de energia fotovoltaica produzida pelos próprios cidadãos (microgeração e minigeração distribuídas), com os painéis solares residenciais e em condomínios, por meio de linhas de incentivo. Um tema específico para outro artigo. 
 
No país asiático, o destaque é o Parque Solar de Longyangxia Dam (850 MW), com capacidade para abastecer 200 mil famílias, onde antes ficava uma fazenda de gado, que estava desmatada e está próximo a um complexo hidrelétrico de mesmo nome, no Yellow River. O país tem uma meta ambiciosa de até 2020 produzir 110 GW de energia solar, atendendo principalmente os acordos internacionais do clima para redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEEs). 
 
Na Índia, a Kamuthi Solar Power Project apresenta 648 MW de capacidade de geração. Com capacidade de 70 MW, a Kagoshima Nanatsujima Mega Solar Power Plant, no Japão, é capaz de abastecer 22 mil residenciais. Na Baviera, Alemanha, usina na cidade de Hemau pode atender 4.600 habitantes. 
 
Na Califórnia, EUA, se encontram em funcionamento também algumas das maiores instalações solares no planeta:  a Solar Star (capacidade de 579 megawatts), a Topaz Solar Farm (550 MW),  a Desert Sunlight Solar Farm (550 MW), estas capazes de abastecer 160 mil residências cada e a Ivanpah Solar Electric Generating System. 
 
Brasil a passos lentos
O Brasil, ainda lanterninha neste modelo de fonte, começa a apresentar algumas novidades, que podem modificar este cenário nos próximos anos. Comparativamente aos outros países, que têm políticas mais incisivas quanto à matriz solar, não aproveita o potencial, com altas taxas de irradiação durante todo ano (em especial em Minas Gerais, Goiás, Tocantins e estados do Nordeste) e de recursos minerais de quartzo (para produção do silício para a confecção dos painéis). 
 
No final de 2017, no estado do Piauí, começou a operar o Parque Solar Nova Olinda, com capacidade de 292 MW e atendimento a 300 mil famílias, considerada o maior da América Latina, e o Parque Solar Ituverava, na Bahia (254MW), sob gestão da Enel Green Power Brasil. 
De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), o Brasil, em 2016, possuía 81 MWp de energia solar fotovoltaica instalados, correspondentes a 0,05% da capacidade instalada total no país, sendo 24 MWp de geração centralizada e 57 MWp de geração distribuída.
Desde a construção da primeira usina solar no país – a Tauá -, em 2011, no estado de Pernambuco, com 1 MW de potência, as escalas de capacidade têm aumentado progressivamente. De acordo com o Banco de Informações de Geração (BIG) da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), atualmente se encontram 85 Centrais Geradoras Solares Fotovoltaicas em operação no Brasil, com potência outorgada de 1.025.962 kW, que representam 0,65% dos empreendimentos de diferentes fontes energéticas em funcionamento. Já em construção, estão 27 empreendimentos que correspondem a 749.620 kW de potência. E há a projeção de construção de mais 38 unidades, com potência de 908.291 kW. Ainda muito pouco, em relação ao total das matrizes de energia elétrica, predominantemente hidráulica, que apesar de estar na categoria de energia limpa, deixam passivos socioambientais, que são questionáveis.#Usinassolares: do protagonismo chinês às iniciativas que começam a se destacar timidamente na matriz nacional brasileira
Por Sucena Shkrada Resk
 
A energia solar fotovoltaica se projeta de forma gradativa no mundo, desde os anos 2000. No contexto das implementações de usinas e fazendas solares (fontes centralizadas), estão a China - ainda o maior poluidor do mundo, por causa do carvão, e ao mesmo tempo o maior investidor em energia renovável -, o Japão, a Alemanha e os EUA, com destaque ao estado da Califórnia, independente da atual política ambiental retrógrada de Donald Trump e a Índia, entre outros países. Apesar dessa ordem no ranking se alterar nos últimos anos, à medida que há novos empreendimentos, estas nações têm se destacado historicamente no fomento desta matriz. Isso sem falar especificamente de energia fotovoltaica produzida pelos próprios cidadãos (microgeração e minigeração distribuídas), com os painéis solares residenciais e em condomínios, por meio de linhas de incentivo. Um tema específico para outro artigo. 
No país asiático, o destaque é o Parque Solar de Longyangxia Dam (850 MW), com capacidade para abastecer 200 mil famílias, onde antes ficava uma fazenda de gado, que estava desmatada e está próximo a um complexo hidrelétrico de mesmo nome, no Yellow River. O país tem uma meta ambiciosa de até 2020 produzir 110 GW de energia solar, atendendo principalmente os acordos internacionais do clima para redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEEs). 
 
Na Índia, a Kamuthi Solar Power Project apresenta 648 MW de capacidade de geração. Com capacidade de 70 MW, a Kagoshima Nanatsujima Mega Solar Power Plant, no Japão, é capaz de abastecer 22 mil residenciais. Na Baviera, Alemanha, usina na cidade de Hemau pode atender 4.600 habitantes. 
 
Na Califórnia, EUA, se encontram em funcionamento também algumas das maiores instalações solares no planeta:  a Solar Star (capacidade de 579 megawatts), a Topaz Solar Farm (550 MW),  a Desert Sunlight Solar Farm (550 MW), estas capazes de abastecer 160 mil residências cada e a Ivanpah Solar Electric Generating System. 
 
Brasil a passos lentos
O Brasil, ainda lanterninha neste modelo de fonte começa a apresentar algumas novidades, que podem modificar este cenário nos próximos anos. Comparativamente aos outros países, não aproveita o potencial, com altas taxas de irradiação durante todo ano (em especial em Minas Gerais, Goiás, Tocantins e estados do Nordeste) e de recursos minerais de quartzo (para produção do silício para a confecção dos painéis. 
No final de 2017, no estado do Piauí, começou a operar o Parque Solar Nova Olinda, com capacidade de 292 MW e atendimento a 300 mil famílias, considerada o maior da América Latina, e o Parque Solar Ituverava, na Bahia (254MW), sob gestão da Enel Green Power Brasil. 
De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), o Brasil, em 2016, possuía 81 MWp de energia solar fotovoltaica instalados, correspondentes a 0,05% da capacidade instalada total no país, sendo 24 MWp de geração centralizada e 57 MWp de geração distribuída.
 
Desde a construção da primeira usina solar no país – a Tauá -, em 2011, no estado de Pernambuco, com 1 MW de potência, as escalas de capacidade têm aumentado progressivamente. De acordo com o Banco de Informações de Geração (BIG) da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), atualmente se encontram 85 Centrais Geradoras Solares Fotovoltaicas em operação no Brasil, com potência outorgada de 1.025.962 kW, que representam 0,65% dos empreendimentos de diferentes fontes energéticas em funcionamento. Já em construção, estão 27 empreendimentos que correspondem a 749.620 kW de potência. E há a projeção de construção de mais 38 unidades, com potência de 908.291 kW. Ainda muito pouco, em relação ao total das matrizes de energia elétrica, predominantemente hidráulica, que apesar de estar na categoria de energia limpa, deixam passivos socioambientais, que são questionáveis.

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