Terceira idade: com tão pouco, é possível fazer muito, por Sucena Shkrada Resk

01/10/2012 17:07

O planeta envelhece e se renova e o ser humano também tende a ter mais tempo de vida nesse complexo organismo chamado Terra, e como lida com isso? No Brasil, a expectativa é que 64 milhões de pessoas estejam na fase da terceira e quarta idade contra cerca de 21 milhões atuais, segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). É algo para pensar: afinal, como será (e como já é) a qualidade de vida, que envolve o ar que respiramos, as condições de mobilidade urbana, de emprego e renda e acima de tudo, as relações humanas...? O quanto fazemos hoje para estabelecer o cenário do amanhã?

Nesse contexto, que envolve a experiência de vivências diárias, ontem tive a oportunidade de ir a uma casa de repouso fazer uma doação e no pouco tempo que estive lá, vivenciei uma avalanche de sentimentos. A maioria dos assistidos são senhoras acima dos 80 anos, com pouca mobilidade. Ao cumprimentá-las, via em cada olhar sentimentos, histórias de vida dos muros para fora. E sentadas, nos sofás, aguardavam um outro olhar amistoso, uma palavra terna, a atenção que qualquer ser vivo merece. Pensei que eu ou qualquer ente mais próximo poderia ser uma delas...

E o que mais me encantou, é que uma das fundadoras da casa, uma senhora de 74 anos ('dona' Tomiko), continua uma voluntária ativa por lá e essa trajetória já completa mais de 40 anos, segundo ela. Técnica em alimentos se preocupa em dar dicas no cardápio (que é feito por uma nutricionista), atender os visitantes. - "Outro dia, estavam sem sobremesa, fui comprar três cachos de banana", falou..., citando que essas situações não são raras de acontecer e exigem boa vontade e disponibilidade para esses improvisos.

São iniciativas aparentemente assistenciais, mas que ultrapassam essa categoria e, na verdade, são frutos de escolhas que podem mudar, inclusive, nosso padrão de consumo, que envolve desde os bens perecíveis e não-perecíveis até a escolha de optar por caminhar, andar de bicicleta, em vez de utilizar o automóvel nos deslocamentos (pensando na emissão de poluentes, estresse, e no condicionamento físico).

E quando mencionei para dona Tomiko, que na minha casa, temos horta, falou que até um pé de espinafre, alface ou outro vegetal seria bem-vindo. Podem fazer picadinho na mistura na sopa ...Tudo isso me emocionou e agregou algo positivo para os meus valores, porque nada mais é do que a vida real...E se traduz nessas palavras...Com tão pouco, é possível fazer muito...E no final, todos nós somos beneficiados nessa troca solidária, sem nos formatarmos pelos padrões da burocracia e da impessoalidade, em que a regra é achar que nunca temos nada a ver com isso, pois não se trata de alguém de nossa família.

Veja também no Blog Cidadãos do Mundo:
01/05/2011 - Suassuna, em verso e prosa
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