Desastres naturais:o desafio na prevenção e na emergência no Sul e Sudeste, por Sucena Shkrada Resk

17/12/2012 19:01

A incidência dos altos índices pluviométricos nas regiões Sul e Sudeste, neste verão, com estimativas acumuladas até fevereiro do ano que vem, de chegar a 1400 mm já sinalizam as dificuldades contínuas identificadas anteriormente na série histórica em ambas as regiões. O que está mudando aos poucos é a cultura de mitigação (redução de danos) e adaptação aos eventos extremos e aos desastres naturais no país.

Sem sombra de dúvidas, a tragédia na Serra Fluminense, em 2011, com mais de 900 mortos, foi um divisor, que impôs ao poder público, atitudes efetivas, partindo do básico: o diagnóstico. O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) divulgou recentemente a existência de áreas de maior risco de deslizamentos e inundações em 286 municípios nas regiões.

Não é mais possível falar do efeito surpresa das águas. A Agência Nacional das Águas (ANA) em parceria com gestores hídricos dos estados do Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Goiás, Maranhão, Pará, Pernambuco, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia e Sergipe, criaram 13 “salas de acompanhamento de tendências hidrológicas. No ano que vem, a expectativa é que exista essa retaguarda nos demais estados. O mapeamento de risco das bacias hidrográficas também foi mais um subsídio à prevenção anunciado recentemente.

Do total de 286 municípios levantados, em 195 ocorreram o maior número de mortes, nas últimas duas décadas. Segundo o Ministério da Integração Regional, 97% dos óbitos devido às chuvas no Sul e 87% no Sudeste. De acordo com o Plano de Ação do Governo Federal para o período de chuvas – Sul e Sudeste, até 30 de janeiro, as áreas mais vulneráveis estão concentradas nas regiões da Serra do Mar, nos estados de SP, RJ e ES; Serra da Mantiqueira, Centro-Sul de MG e região serrana do RJ.

Agostinho Ogura, diretor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), explica que não é possível associar previamente os eventos climáticos a determinados fenômenos. O que se sabe, por exemplo, é que em janeiro de 2011, houve a associação de La Niña, na região de Nova Friburgo. No ano anterior, em Niterói, no Morro do Bumba, do El Niño. Já no Vale do Itajaí, em SC, em novembro de 2008, o fenômeno hidrometereológico extremo foi classificado como normal.

Agora também será o momento de provar se as capacitações de cerca de 4,5 mil integrantes de Defesas Civis em 227 municípios terão resultados no atendimento de alerta e às vítimas em potencial. Até 15 de fevereiro, está prevista também a manutenção da Força Nacional de Emergência, técnicos de diferentes áreas da estrutura do governo. Já a Força Nacional do SUS tem hoje 329 profissionais, de médicos a técnicos de enfermagem, conforme anunciado na semana passada. Para completar a retaguarda, as Forças Armadas foram equipadas para atuar nas regiões Sul e Sudeste.

A cifra empenhada, segundo o Ministério da Integração Nacional, é de R$ 4,9 bilhões, incluindo em grande parte, obras de infraestrutura de drenagem e em encostas, entre outras.

Agora, o que qualquer um de nós espera, é que o que já estamos vendo em diversas localidades em várzeas, encostas, em áreas impermeabilizadas nos grandes centros urbanos adensados não se intensifique. Sem planejamento urbano e gestão ética dos recursos nas cidades, o enfrentamento dos desastres naturais sempre será frágil.

A questão habitacional e do modelo construtivo e de planejamento viário associado à educação ambiental é mais um ponto. Quantos resíduos vão parar nos córregos e rios continuamente todos os anos? Isso é a realidade diária com a qual convivemos. É um ciclo vicioso e cruel, porque não afeta só o bolso, com perdas materiais, mas a saúde e significa a fronteira entre a vida e a morte.

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