Blog Cidadãos do Mundo - Sucena Shkrada Resk - Jornalismo socioambiental


Um momento de vivência de educação ambiental em Inhotim, por Sucena Shkrada Resk

17/02/2012 19:16

O que os estudantes universitários respectivamente nas áreas de Ciências Ambientais e Biológicas, Diego José Rodrigues Pimenta, 20 anos, e Rafael Magalhães Mol, 19, têm em comum? Além de serem amigos, hoje eles atuam como agentes ambientais, que passam por período de estágio de um ano, no Horto Florestal do Instituto Inhotim, em Brumadinho, MG. Tive a oportunidade de conhecê-los, em visita que fiz por lá, no final do ano passado, o que rendeu alguns momentos interessantes, com foco em educação ambiental...

Ao observar a iniciativa desses jovens, foi possível extrair a importância da vivência, além do aprendizado teórico em sala de aula. Pois esse bate-papo foi um exemplo prático de sensibilização.

Eles estavam se preparando para recepcionar outros visitantes - principalmente crianças - para exercitar atividade lúdicas, por meio de dinâmicas, teatralização e jogos, com a finalidade de explicar como são os biomas atlântico e do cerrado e suas características endêmicas. Ao mesmo tempo, expor a singularidade do horto florestal, com mais de 1,2 mil espécies de palmeiras de diversos lugares do mundo, ou seja, seu viés também exótico, que compõe o paisagismo local, além de espécies brasileiras, como a macaúba.

O entrosamento com o meio e o respeito à biodiversidade local foram alguns dos pontos que me chamaram a atenção em suas falas. "Os jardineiros daqui recolhem as sementes dessas espécies introduzidas para que o cultivo não fique descontrolado", explicou Pimenta, ao apontar no entorno o cuidado presente no desenho dos jardins.

Ao mesmo tempo, eles ressaltaram a importância da conservação do horto, onde há mata secundária e introduzida, e o ciclo de vida da fauna da região. "O caxinguelê (um roedor) gosta das sementes e a ave viuvinha também é uma das espécies que mais aparecem por aqui", destacou Rafael, enquanto olhávamos a pequena ave de coloração preta e branca próxima a um arbusto.

E pedi que me explicassem com que linguagem interagiam com as crianças e aí ouvi a seguinte história..."O catinguelê convivia com o teiú (lagarto também comum na região) e um dia, duas crianças vieram passear por aqui e começaram a fotografar os animais, que gostavam de fazer poses. Nessa integração, eles observaram o hábito do roedor de se alimentar de sementes...No final, se deram conta, que não se deve dar alimentos aos animais silvestres, como biscoitos e outras comidas, que não fazem parte da dieta deles..."

E aí, os dois me contaram que havia o conto da Borboleta Azul e a Bromélia, já que é um dos destaques locais, com centenas de espécies. Mas essa fica para uma outra vez...Continuei minha caminhada e registrei essa passagem como algo, que devemos dar mais valor, pois são nesses atos cotidianos, que realmente há o incentivo às propostas básicas para a conservação do planeta, não é verdade? E geralmente não viram manchete.

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