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Suassuna, em verso e prosa

01/05/2011 10:35

Por Sucena Shkrada Resk

O escritor, poeta, dramaturgo e historiador Ariano Suassuna, 84 anos, no palco, e o geógrafo Aziz Ab´Saber, 87, na plateia. Poderia haver combinação mais emocionante de se flagrar? Presenciei esse bonito quadro, neste sábado, 30 de abril, no teatro do Sesc Vila Mariana, em São Paulo, durante a aula-espetáculo do escritor paraibano, radicado em Recife. Por mais uma vez, ele superou ‘sua aversão’ às viagens aéreas, para trazer aos paulistanos, um pouco de sua vasta contribuição à cultura brasileira.

Durante quase duas horas, compartilhei uma viagem no tempo. Um ir e vir de trocadilhos, glosas, críticas aos preconceitos à cultura de raiz, além de um humor perspicaz, que provocou risos largos do público. Essa gama de informações trouxe à tona importantes momentos da carreira do criador do Movimento Armorial, reconhecido internacionalmente por obras, como “Auto da Compadecida” (1955).

O Movimento Armorial foi iniciado por Suassuna, em Recife, em 18 de outubro de 1970, com o propósito de ampliar o reconhecimento das raízes das manifestações populares culturais brasileiras, e até hoje ele mantém um trabalho neste sentido.

Em vez de me estender em interpretações, decidi optar por transcrever algumas frases que ouvi de sua exposição, ontem, e compartilhá-las com vocês:
-“... Minha posição tem caráter didático. Fui professor, durante minha vida toda, desde os 17 anos...”
- “...Até hoje me espanto com o poder de improviso que têm os cantadores. Que coisa extraordinária...”
- “Fui criado lendo...Além da leitura, eu me encantei pelo circo...
- “Gosto de rir e fazer rir...”
- “Quero desmoralizar esse pessoal que diz que o povo brasileiro não sabe o que é bom...Mas se apresentarem a ele só o que é ruim...”
- “...O que acho mais bonito em nosso povo é a unidade na diversidade...”

Foram tantas passagens contadas de forma coloquial pelo escritor, que seria impossível descrevê-las em um resumo. Mas de tudo que transmitiu, extrai o seguinte - Por muitas vezes, reclamamos da vida, por pequenas discordâncias, mágoas por palavras mal empregadas ou rompantes de sentimentos enraivecidos. Nesses momentos, esquecemos que a vida pode ser poética, harmoniosa, com risos largos e esperançosa. Quando conhecemos pessoas, no alto de sua maturidade, que produzem e nos incentivam, provocando nossa reforma íntima, sentimos o quanto é preciso lutar pelo envelhecimento com dignidade.

Ao falar com o professor Ab`Saber, ao término da apresentação, eu obtive mais uma lição de humildade. Ele contou que estava vendo pela primeira vez uma ‘aula’ de Suassuna e havia se encantado. Nas entrelinhas, deu o seguinte recado - um bom educador e pensador nunca se cansa de aprender. E com mais um detalhe, digno de nota. Apesar de aposentado e com dificuldade para caminhar, ele praticamente vai todo dia à Universidade de São Paulo (USP), estudar e compartilhar conhecimentos. E completou - “Uma vez (Suassuna) foi à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) para fazer uma palestra, que foi tão interessante, que depois dele, ninguém mais queria falar (rs)”.

Esses momentos singulares não pararam por aí. Ainda tive a oportunidade de entrevistar Suassuna em coletiva de imprensa, para finalizar o conteúdo para uma matéria que estou produzindo. Um momento especial nos bastidores de minha carreira. No final da noite, já cansado de tanto atender aos apelos dos jornalistas – inclusive, o meu, é claro rs -, gentilmente, ele autografou o livro Almanaque Armorial, com organização de Carlos Newton Júnior, pela José Olympio, que eu havia comprado lá, para conhecer um pouco mais de seu trabalho.

 

 
No Sesc Vila Mariana, em São Paulo

*Blog Cidadãos do Mundo - jornalista Sucena Shkrada Resk 

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