ONU alerta que há evidências de crime de guerra em Gaza, por Sucena Shkrada Resk

05/08/2014 18:15

A Segunda Guerra Mundial  (1939-1945) foi um divisor de águas na história dos marcos legais internacionais dos direitos humanos por seus efeitos. A definição de crimes de guerra a partir deste período histórico começou a figurar na Convenção de Genebra criada em 1864. O que se vê em 2014 é que os conflitos do século XXI rumam a este caminho violento novamente com a série de atrocidades registradas contra civis principalmente palestinos, que ocorrem nas últimas semanas, na região da Faixa de Gaza, no conflito liderado pelo governo israelense (país criado em 1948 pelo povo judeu) e o grupo político e de resistência islâmica Hamas. Navi Pillay, Alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, alertou  nesta terça-feira (5), que Israel deve assumir suas responsabilidades pelas "crescentes evidências de crimes de guerra cometidos pelo seu exército”.

Especialistas discutem a possibilidade de Israel ser denunciado ao Tribunal Internacional de Haia, por causa do quadro de violência instalado, mas ainda não há consenso entre o Conselho de Segurança da ONU. Mortes de adolescentes civis e capturas de soldados israelenses e abertura de túneis, de Gaza em direção a Israel, são os principais argumentos utilizados por Israel para a sucessão de bombardeios em território palestino. O Hamas ataca com mísseis o adversário, argumentando a defesa da população de Gaza, que fica localizada em cerca de 40 quilômetros de extensão, entre Israel, o Mar Mediterrâneo e o Egito, com aproximadamente 365 quilômetros quadrados. Hoje nesta pequena área vulnerável, onde vivem 1,8 milhão de pessoas,  pelo menos 21% de sua população já vivem em extrema pobreza.

Os bombardeios israelenses até agora não eximiram cidadãos que estavam em escolas – 142 até agora -, hospitais, campos de refugiados, suprimentos de energia e água para a população palestina daquela região. Segundo a ONU, centenas de milhares de palestinos tiveram de se deslocar em função do conflito e três mil residências foram destruídas.

Já foram registradas aproximadamente 1,9 mil baixas palestinas, incluindo crianças, mulheres a idosos e, por vezes, famílias inteiras foram dizimadas. Do lado israelense, fontes oficiais confirmaram a morte de 64 soldados e de três civis. Uma nova tentativa de cessar-fogo, mediada pelo governo do Egito, começou hoje. Mas o cumprimento de ambas as partes é rodeado de incertezas, já que as anteriores foram malsucedidas.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU criou a comissão para investigar as possíveis violações, desde o último dia 23 de julho. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), mais de 400 crianças palestinas foram mortas até agora, 2.502 feridas, e um número aproximado de 370 mil precisam com urgência de apoio psicológico por presenciar eventos extremos de violência.

O sistema de saneamento entrou em colapso na região do território palestino e há o risco iminente de casos de diarreia, entre outras doenças, que podem ser fatais para crianças menores de cinco anos. A cobertura jornalística por lá também está bem vulnerável, hoje a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) informou que já são seis profissionais de mídia palestinos mortos, vítimas também dos bombardeios.

Como é período de verão em Gaza, as temperaturas excedem a 30 graus, o que complica mais a situação de insalubridade, segundo representantes da organização Médico Sem Fronteiras. O principal hospital da região, Al Shifa, além de outras importantes retaguardas, como os hospitais Al Aqsa, Beit Hanoun e Europeu foram bombardeados, aumentando a instabilidade. Na região, também atuam outros grupos humanitários, como o Crescente Vermelho e a Cruz Vermelha. A ONU criou a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA).

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