Blog Cidadãos do Mundo - Sucena Shkrada Resk - Jornalismo socioambiental


José Pacheco fala da importância dos educadores no Brasil

03/09/2014 19:44

crédito da foto: Sucena Shkrada Resk

 José Pacheco - crédito da foto: Sucena Shkrada Resk

Por Sucena Shkrada Resk

“Antes pensava de forma etnocêntrica e considerava que o desenvolvimento pedagógico estava concentrado na Europa. Quando descobri os avanços no Brasil, desfiz essa visão equivocada, e avaliei que o país está entre os primeiros nesta área no mundo...”. A reflexão é do educador português José Pacheco, um dos principais precursores da diferenciada Escola da Ponte, durante o lançamento de seu livro ‘Aprender em Comunidade’, pelas Edições SM, durante a Bienal do Livro de São Paulo. A obra reconhece a importância de educadores no Brasil. 

Segundo ele, um dos princípios que absorveu, durante sua trajetória profissional, é que na educação não existe verdade definitiva. “Aprendo a aceitar o outro como é, independente da militância”, explica. E com voracidade constante por aprender outros ângulos de leitura de mundo, Pacheco conta que um dos autores brasileiros que revisitou, durante sua carreira, foi Paulo Freire (1921-1997), por meio de algumas de suas obras, como a Pedagogia da Esperança. 

“No país, outro pioneiro que respeito é o educador e jornalista Eurípedes Barsanulfo (1880-1918)”. Em 31 de janeiro de 1907, o mineiro criou o primeiro educandário brasileiro com orientação espírita no Brasil, o Colégio Allan Kardec, em Sacramento. A instituição foi considerada uma das mais avançadas na educação à época, utilizando o então método ainda recente de Pestalozzi.

Aprender em comunidade

Para Pacheco, as experiências como educador fizeram com que reconhecesse que as escolas são as pessoas e seus valores e não, os seus edifícios. “Esses valores conduzem a projetos”, completa. O livro ‘Aprender em comunidade’ parte deste princípio. Com linguagem coloquial, o educador escreveu 25 cartas para destinatários do século XVI ao XXI, que tiveram papéis atuantes no Brasil, cujas biografias também podem ser conhecidas na obra.

O formato, de acordo com o autor, permitiu que criasse uma intimidade ficcional também com outros autores já falecidos e os aproximassem do leitor. A tônica das mensagens mescla a crítica, a indignação e a esperança.

Entre os destinatários, está o educador Alessandro Cerchai, que Pacheco não se conforma ter sido pouco conhecido no Brasil. “Ele criou a Escola Libertária Germinal, em 1902, na cidade de São Paulo, que durou dois anos, mas foi inovadora”. Lá, de acordo com o autor, os pais dos alunos pagavam uma pequena mensalidade e intervinham na arrecadação de fundos e na gestão do próprio projeto. Aí estava o embrião da relação escola-família. “E hoje muitas continuam marginais à vida escolar, e frágeis nas estruturas de participação”, compara.

A inspiração para se comunicar com o leitor, por meio dessa linguagem fácil de assimilar,  surgiu com o primeiro livro que ‘realmente gostou de escrever’ – como afirma. “Foram as 17 cartas destinadas à minha neta Alice, que havia nascido em 2001, ano em que vim para o Brasil. A minha ideia era que quando ela completasse seis anos, poderia ler. Tempos depois, uma editora se interessou em publicá-las”. E claro, a menina pôde ter o prazer de ler as mensagens de seu avô, como previsto, ainda em sua infância.

Veja também no Blog Cidadãos do Mundo – jornalista Sucena Shkrada Resk:

Rubem Alves e a Escola da Ponte – a desconstrução de paradigmas

José Pacheco e Sucena Shkrada Resk - Bienal do Livro de São Paulo 2014

*Blog Cidadãos do Mundo - jornalista Sucena Shkrada Resk

—————

Voltar