Guerra na Síria: o retrato da desumanização no século XXI

18/12/2016 10:34

Por Sucena Shkrada Resk

Quem cura as cicatrizes das feridas profundas das guerras civis que marcam o século XXI, em especial, na Síria? Os acordos geopolíticos demonstram que impera a crueldade imposta pelas polaridades, que armam os lados opostos internos com aparato bélico e financiamento e causam mais destruição e dor com a lógica do "vale tudo pelo poder". EUA e Arábia Saudita, Catar, Jordânia e Turquia (em apoio aos rebeldes jihadistas, curdos de forma separada... contra o governo) e Rússia e Irã (em apoio ao governo de Bahsar al-Assad) revelam mais uma vez o antagonismo histórico nos bastidores deste genocídio. Quantas gerações estão sendo destroçadas por estes embates violentos... transformando o meio ambiente em um cenário de insalubridade.

A situação é tão grave, que segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 70% da população não têm acesso à água potável e estima-se que uma a cada três pessoas está subnutrida devido à falta de acesso à alimentação, no contexto da violência armada. Um contingente de 13,5 bilhões de pessoas necessita de ajuda humanitária e recursos bilionários de ajuda internacional. E organizações, como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, citam a dificuldade de socorrer os feridos e retirar os mortos. Quando lemos, vimos e ouvimos a respeito desta situação no Ocidente, dá uma sensação de vazio existencial e de que muitas vezes as informações são manipuladas por ambos os lados, em uma guerra que também usa a mídia social como ferramenta.

Desde que o conflito teve início em 2011, são mais de 400 mil mortos e um êxodo acima de 4,8 milhões de cidadãos que, por muitas vezes, morrem em travessias pelo mar a países vizinhos ou se veem barrados em países da Europa e de outros continentes. A desumanização reduz pessoas com sentimentos, histórias a números. Por um lado, muitas nações não estão preparadas para este fluxo e por outro há também uma ascendência de processos xenófobos.

O conflito começou com a insatisfação de parte da população com casos de denúncias de corrupção no governo de Bahsar al-Assad e a repressão com violência sobre os manifestantes. Hoje envolve governo com força militar, facções extremistas que dizem representar religiões e potências hegemonas.

Depois da capital Damasco, Aleppo chega às manchetes dos principais periódicos e à mídia social. A segunda principal cidade da Síria é hoje um cenário de escombros. Civis feridos por todos os lados têm de esperar um cessar fogo de ambas as partes para poderem ser socorridos. Muitos expostos a temperaturas abaixo de zero sucumbem pelas ruas, sem nenhuma chance de sobrevivência. É uma catástrofe humanitária alimentada pela ditadura e pelo extremismo, que o campo de negociação como a Organização das Nações Unidas (ONU) não está tendo efeito. As tentativas de acordos no palco internacional (Genebra 1 e 2) fracassaram e o desenho do que o mundo não quer mais repetir, que foram as primeiras e segunda guerras mundiais, estão sendo forjadas novamente. É isso que queremos para nossa sociedade mundial?
*Blog Cidadãos do Mundo - jornalista Sucena Shkrada Resk


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