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Extrativismo sustentável, dobradinha que inclui conservação e geração de renda

19/07/2015 14:15

Feira de Economia Solidária, em Juruena, MT, no dia 16. Crédito da foto: Sucena Shkrada Resk

Por Sucena Shkrada Resk

Autonomia e empoderamento. Dobradinha poderosa e indispensável. Quando nos deparamos com boas práticas, que envolvem a agricultura familiar, vale a pena compartilhar estas experiências. Lidar com a terra, além de sensibilidade tem muito de matemática. Quem só retira e não repõe, com certeza, entra no negativo. Agricultoras familiares da região do Vale do Amanhecer, no município de Juruena, em Mato Grosso, Amazônia, sabem disso e há alguns anos iniciaram o trabalho de extrativismo e beneficiamento da castanha-do-brasil, tendo como princípio o processo sustentável.

Pude conhecer, nesta semana, algumas destas trabalhadoras rurais, durante Seminário de Economia Solidária com Sistemas Agroflorestais Não Madeireiros e feira do segmento, em Juruena. Elas se organizaram em grupos de mulheres e formaram associações, consolidando práticas de economia solidária, com apoio de assessoria técnica de diferentes organizações. Hoje já atingem o mercado sem atravessadores e fazem todo o processamento, da coleta à embalagem em locais próprios, com produtos que atendem às normas de vigilância, e comercialização. Com isso, criaram suas próprias marcas, que ganham espaço, como a Mulheres da Amazônia (Associação Mulheres Cantinho da Amazônia – Amca). Elas vendem castanhas do Brasil in natura e produtos derivados, como macarrão, ambos, devo dizer, aprovados no meu almoço deste domingo, e bolachas.

“Atualmente nossa associação tem 130 integrantes e 55 atuando de forma permanente, em forma de revezamento em todas as etapas”, disse Leonilda Grassi, presidente do Grupo de Mulheres da Amazônia, que fica a 12 quilômetros do centro da cidade. Segundo ela, querem aprimorar cada vez mais os produtos, e o macarrão ainda pode ficar melhor.

A Cooperativa dos Agricultores do Vale do Amanhecer (Coopavam) também se inseriu neste meio, com destaque à farinha orgânica, entre outros produtos. Já a Associação Marias da Terra (Amater) se especializou em doces (cocadas, bolachas) e itens salgados.

O ciclo sustentável desta produção também está em proporcionar alimentos com nutrientes importantes ao organismo humano e, com um detalhe crucial, livre de agrotóxicos.

Essas conquistas possibilitam que possam ingressar em editais públicos de fornecimento a escolas e, inclusive, ter acesso a redes de comercialização privada. Mas acima de tudo, o que é possível ver a olhos nus, é o grau de satisfação dessas mulheres em serem autoras dos caminhos de suas vidas. Algo significativo em um contexto nacional, em que as questões de gênero e de condições de renda revelam as discrepâncias de acesso a direitos básicos de bem viver.

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