Educação: o exemplo de Malala, por Sucena Shkrada Resk

13/10/2013 13:38

A segurança nas convicções da jovem paquistanesa Malala Yousafzai Montero, de 16 anos, chega a deixar muitos adultos desconcertados e eu me incluo nesse hall. Após sofrer uma emboscada, há um ano, quando levou um tiro na cabeça, no ônibus escolar em que se encontrava, no Vale do Swat, no Paquistão, ela conseguiu sobreviver e continua sua luta para que prevaleça o direito à educação gratuita a crianças de baixa renda, principalmente a estudantes do sexo feminino em seu país, sob o regime Talibã. Estima-se que existe hoje por volta de 34% da parcela feminina do Paquistão nas escolas locais.

Entre a vida e a morte, essa adolescente foi encaminhada ao Reino Unido, onde ficou internada até janeiro deste ano e teve de passar por cirurgias para a reconstrução craniana. E após sair do hospital, sofreu uma reviravolta em sua vida. Ela passou a morar com sua família por lá, estabelecendo uma relação mais próxima com uma nova cultura, e a frequentar um colégio na Inglaterra, pois ainda sofre ameaças de extremistas.

A sua mobilização ganhou reconhecimento em todo mundo e não é de agora. Teve início por volta dos seus 11 anos, quando começou a sentir de perto a pressão sobre a sua liberdade de estudar como de demais meninas de sua idade. Ao se observar sua biografia, talvez a influência tenha vindo de seu próprio pai, que é um militante pela democratização da educação e proprietário de escola, mas a menina estabeleceu uma marca própria para se expressar. Ela criou à época o blog Diário de uma estudante paquistanesa, primeiramente com pseudônimo, que foi descoberto pela mídia Ocidental e projetou seus apelos.

Hoje depois da experiência marcante em sua vida, ela já escreveu uma autobiografia Eu sou Malala, com auxílio da jornalista britânica Cristina Lamp, além de criar o Fundo Malala para a causa. Com desenvoltura, a jovem que quer futuramente ser política se pronunciou recentemente a diplomatas da Organização das Nações Unidas (ONU) e já esteve com Barack Obama e sua família. Apesar de obter apoio institucional de várias partes do mundo, o seu posicionamento também gera protestos de uma ala do regime paquistanês. O seu exemplo, no entanto, é atualmente um dos mais importantes com relação à liberdade de expressão no mundo e faz refletir sobre as necessidades de mais de 800 milhões de analfabetos no planeta (mulheres e homens).

*Blog Cidadãos do Mundo - jornalista Sucena Shkrada Resk

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