Blog Cidadãos do Mundo - Sucena Shkrada Resk - Jornalismo socioambiental


Domenico De Masi : 2020 em 10 tendências, por Sucena Shkrada Resk

01/11/2012 14:31

Criatividade e concretude; uma ação conectada à outra. É dessa forma que o criador do conceito do “ócio criativo” (que resumidamente propõe o equilíbrio entre trabalho, estudo e lazer), o sociólogo italiano, Domenico De Masi http://www.domenicodemasi.it/pt faz a sua leitura sobre o poder que temos de promover a felicidade a caminho de uma sociedade pós-industrial, com o perfil acentuado em serviços. “O inimigo da criatividade é a burocracia, que afeta desde o núcleo familiar, como também o medo. Para combatê-lo, é preciso que haja uma coragem tranqüila”, aconselha.

Visitante contínuo do Brasil, ele esteve no dia 31 de outubro, em evento promovido pelo movimento Paulista Viva e Sustentável, em São Paulo, para tratar da análise “2020 – Dez tendências”, resultado de trabalho que realiza anualmente com um conjunto de especialistas mundiais, que iniciaram reflexões sobre a construção de cenários para 2020, há dez anos, em Pequim. As abordagens giram em torno de longevidade, tecnologia, economia, trabalho, virtualidade, lazer, androgenia, ética, estética e cultura.

Com relação ao Brasil, De Masi alerta: “O país precisa criar o seu próprio modelo de desenvolvimento (diferente do Beijing consensus e do Washington consensus), no qual a criatividade passe dos pequenos para os maiores”. Como exemplo, cita a experiência do projeto de formação de Orquestras iniciado pelo italiano José Antonio Abreu (http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/jose_abreu_on_kids_transformed_by_music.html), que já se difundiu em mais de 90 núcleos, em especial, na Venezuela, com a participação de crianças e jovens de baixa renda.

Dez tendências para 2020

O estudo “Dez Tendências – 2020” aponta um mundo ainda polarizado, mas que começa a emergir, aos poucos, as características positivas do ócio criativo, em sua opinião. Eticamente ainda precisará evoluir, já que apesar de ficar mais rico, ainda será desigual.

No quesito da longevidade, expõe a expectativa de um planeta com mais 1 bilhão de pessoas daqui oito anos. Ao mesmo tempo, se estima que haverá um bilhão de obesos e a acentuação do envelhecimento será mais tardia e deverá ocorrer nos últimos anos de vida das pessoas. E nessa circunstância, as despesas farmacêuticas serão equivalentes a todo dinheiro gasto em medicamentos na vida. Diante dessa projeção, é perceptível que o questionamento sobre o consumo permeia essas situações.

Nesse mundo que caminha para um contexto cada vez mais high tech, no documento, é descrito um cenário marcado pela engenharia genética, em que robôs serão dotados de empatia (uma característica afetiva) e os chips terão o tamanho de um neurônio. O sociólogo provoca – “Mas como transferir um patrimônio que caberá no bolso para o cérebro?, ...tendo em vista que apesar da acessibilidade, há grande necessidade de empenho da inteligência?”.

A perspectiva da economia em 2020 revela uma China com Produto Interno Bruto (PIB) igual ao dos Estados Unidos e 15 megalópoles com mais de 25 mi habitantes. Novos grupos de países se constituem. Entre eles, o Civets, com Colômbia, Indonésia, Vietnã, Turquia e África do Sul. Nesse realinhamento, no entanto, o primeiro mundo ainda manterá a supremacia na produção de ideias, o que exige maior amadurecimento dos países em desenvolvimento e menos desenvolvidos.

E qual é o perfil de trabalho daqui a oito anos? A tendência projetada é de que seja composto por 30% de criativos, com mais garantias e melhor retribuição e 40% de funcionários executivos, com menos garantias. Os restantes (denominados de Neets) terão direito ao consumo, mas não à produção. Setenta por cento dos trabalhadores deverão estar no setor terciário.

Ao se observar tanto os campos da economia como do trabalho, a balança da desigualdade ainda define o perfil desse mundo do amanhã. A estética será um dos maiores fatores competitivos.

Nesse ritmo frenético, que será cada vez mais encampado por uma “nuvem de virtualidade”, segundo os especialistas, a privacidade tende a desaparecer. Já na área cultural, a faceta digital também irá suplantar a analógica e a energia e a ecologia serão problemas primários.

Bons sinais
Quanto ao lazer, é estimado que os jovens na faixa de 20 anos terão 265 mil horas de tempo livre à sua frente e a expectativa, de acordo com De Masi, é que se trabalhe e produza riqueza, estude e produza saber, e ao mesmo tempo se divirta (introduza o conceito do ócio criativo).

O poder feminino é visto como uma tendência positiva a se expandir em 2020. Nessa projeção, as mulheres viverão três anos mais que os homens e já representarão 60% dos estudantes de pós-graduação. Os valores femininos da estética, subjetividade, emotividade e flexibilidade começarão a ser dominados pelo sexo oposto. “O homem hoje ficou obtuso por ficar muitas horas preso nos escritórios e na unicidade de interesses”, considera o sociólogo.

 

—————

Voltar