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Oceanos com sua biodiversidade costeira e marinha: documentar para conservar

01/09/2014 15:21

Por Sucena Shkrada Resk 

Existe uma máxima que faz todo sentido. Se você não conhece e nem sequer se sente parte da imensidão azul, que são nossos oceanos e sua biodiversidade, como pode perceber que é responsável por sua conservação? Pensando nisso, a figura do documentarista, que também é um comunicador, se torna cada vez mais relevante. Atualmente neste segmento, dois profissionais fazem trabalhos sérios, neste sentido. Um é o jornalista e documentarista João Lara Mesquita, que se especializou a partir dos anos 2000, no universo marítimo, e mantém o projeto Mar Sem Fim no qual difunde seu trabalho, como outros referentes ao tema. O outro é o biólogo, fotógrafo subaquático e cinegrafista Cristian Dimitrius, que começou nesta área, em 1996, em Santa Catarina.

A ligação de Mesquita com o mar vem de longa data. “Navego desde os anos 60”, conta. Com essa experiência, se deparou com os efeitos destruidores de ações como a pesca de arrasto, nos recifes de corais, como também com iniciativas conservacionistas. Durante sua carreira jornalística, a sua ligação com as águas de forma mais contínua começou quando exerceu a função de diretor da Rádio Eldorado, que mobilizou à época, a Campanha pela Despoluição do Tietê, no ano de 1991, em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica. A iniciativa resultou em um abaixo-assinado com 1,2 milhão de assinaturas.

 “Entre 2005 e 2007, fiz uma série de 90 documentários para a TV Cultura, resultado da navegação entre o Oiapoque e Chuí. Estudava o ecossistema predominante e aprendi muito ao entrevistar especialistas em costões, mangues e restingas”, recorda o jornalista. Nesta trajetória, também fez uma série sobre a Antártica que foi veiculada na TV Bandeirantes. “É uma área importante no planeta que se comunica com todos os oceanos”, explica.

Hoje Mesquita produz o trabalho Mar sem Fim – Redescobrindo a Costa Brasileira sobre as condições de 62 unidades de conservação marinhas  na costa brasileira, exibido pela TV Cultura. “Já visitei 15 e o que tenho observado é a falta de fiscalização e problemas de conservação. Onde encontrei o cumprimento de regras de proteção até o momento foi na Estação Ecológica (ESEC) do Taim (RS), na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de Salto Morato, em Guaraqueçaba (PR), esta sob coordenação da Fundação Boticário, e a Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) da Ilhas de Queimada Pequena e Queimada Grande,  localizada ao longo de Itanhaém e Peruibe (SP)”. Segundo ele, apesar desta última unidade de conservação federal ainda não ter plano de manejo, após 29 anos, ‘parece que vem cumprindo seus objetivos’.

Dimitrius, depois de centenas de horas de imagem em vídeo e fotográficas,  define que a motivação para seu trabalho está na proposta de formação de multiplicadores. Entre seus trabalhos mais recentes, está por exemplo, o livro Alcatrazes, pela Cultura Sub, de 2013, que tem fotos também de Fernando Clark e textos de Guilherme Kodja, Kelen Luciana  Leite, Fernando Zaniolo Gibran, Rodrigo de Leão Moura e de Ronaldo Bastos Francini Filho. Suas fotos ilustraram a reportagem que fiz lá para a Revista Horizonte Geográfico, no ano passado, Alcatrazes: o grande ninhal do Sudeste pode virar Parque Nacional. E vale destacar que até hoje o projeto tramita no Ministério do Meio Ambiente e não foi encaminhado para ser sancionado, apesar de existir uma grande mobilização por parte de organizações conservacionistas, com o apoio da própria Marinha do Brasil e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Segundo Dimitrius, o seu objetivo como profissional é que as pessoas se apaixonem por este planeta. “Como consumidores, também somos responsáveis pelos problemas causados ao ecossistema”.

 “A esperança está no conhecimento. Quando a gente mergulha e vê o que está acontecendo, começa a respeitar. O ser humano come peixes de 100 anos, destroi predadores de topos de cadeira, como os tubarões. Se não tivermos o azul do mar, não teremos o verde. As pessoas precisam ser tocadas no processo de informação” diz.  Ele destaca que o overfishing (sobrepesca) está destruindo a vida nos oceanos. “Para cada quilo de peixe adquirido, toneladas são jogadas fora”, alerta.

Os dois profissionais participaram do Seminário Oceanos, realizado pela Cultura Sustentável, durante o evento Virada Sustentável, no último dia 28, realizado na sede da Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop), em São Paulo.

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