Dengue: brechas na prevenção no Brasil, por Sucena Shkrada Resk

07/04/2013 20:20

2013 ou 2002? Ao observar a evolução dos registros atuais de casos de dengue pelo Brasil, eu me recordo de que há uma década, o país vivia uma epidemia, que resultou em campanhas de prevenção e um olhar mais atento da mídia naquele período. À época, fiz várias reportagens no Caderno de Cidades do DGABC e circulava pelas cidades da região, vendo de perto a situação da população e os desafios na retaguarda na saúde pública. Era uma experiência cotidiana de lacunas na saúde ambiental.

Uma década depois, o que mudou? O que se constata é que o foco educativo no aspecto preventivo, de forma geral, ficou esparso, e o alerta continua: ainda há a presença de muitos criadouros da fêmea de Aedes aegypti ou Aedes albopictus  (mosquitos transmissores da doença). Assim, permanece o perigo da dengue hemorrágica, que leva à morte, e que já fez cerca de 110 vítimas neste ano.

Minas Gerais é o Estado no qual há o maior número absoluto de notificações de casos suspeitos (165.845) até o último dia 4 e Mato Grosso do Sul apresenta um grande avanço de registros. Só em Campo Grande, foi mais de 41 mil, o que representa um número superior à metade no Estado. Em alerta também estão municípios, como Goiânia, com mais de 91 mil casos, o que representa percentual superior a 704% de notificações com relação ao mesmo período em 2012, conforme noticiado nesta semana.

De acordo com o Ministério da Saúde, nos últimos anos tem havido uma queda de registros, apesar de ainda serem altos. Em 2010, foram 579.818 confirmações, em 2011, 303.526 e no ano passado, 167.279. Nos primeiros meses deste ano, são 635.161 notificações de casos suspeitos e a expectativa é que sejam reduzidas para menos de 200 mil. O maior número de mortes aconteceu em 2010, totalizando 306 registros.

Quantos óbitos poderiam ter sido evitados, por mudança de comportamento e consciência de vigilância sanitária e em saúde incorporada ao cotidiano da população?

Segundo especialistas, um dos complicadores recentes é a introdução do vírus DEN-4, que não circulava no País, desde a década de 80. No entanto, um aspecto primário e crucial no ciclo da dengue é de que: as larvas se desenvolvem em água parada, limpa ou suja. Isso remete à necessidade de ações rotineiras de atenção às caixas d`água, pratinhos de vasos, calhas entupidas, lajes com focos d´água, pneus velhos a céu aberto, entre outros. E o que se deve levar em conta é que, de maneira geral, os sintomas se manifestam a partir do 3° dia depois da picada do mosquitos. Há um espaço silencioso até que as vítimas lotem as unidades de saúde e hospitais, que em muitos casos, não dão conta do número de pacientes.

Mais informações sobre a doença podem ser encontradas no site: http://www.dengue.org.br/ . No portal, também existe material em libras para pessoas surdas (SSR).

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*Blog Cidadãos do Mundo - jornalista Sucena Shkrada Resk

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