Blog Cidadãos do Mundo - Sucena Shkrada Resk - Jornalismo socioambiental


Defaunação: uma palavra que se consolida no vocabulário ambiental, por Sucena Shkrada Resk

30/07/2014 14:53

A aceleração dos impactos antrópicos (decorrentes da ação humana) parece não ter fim e isso não se restringe somente às mudanças climáticas. Com isso, um termo cada vez mais usual na ciência é a chamada ‘defaunação’. Traduz um universo de declínio da população dos animais, contabilizando hoje 322 espécies de vertebrados terrestres extintas desde 1500; e 25% das restantes revelam que estão em processo ascendente para este fim. Caça ilegal e desmatamento são as principais causas associadas a esse quadro de decréscimo populacional. Os dados compõem a apuração feita por um grupo de cientistas, no artigo Defaunation in the Antrropocene. O estudo foi recentemente publicado pela Science.

O conjunto de informações reforça o alerta recorrente entre os pesquisadores sobre indícios da ocorrência da ‘sexta extinção em massa’ da fauna e consequente desequilíbrio envolvendo a cadeia alimentar. Entre essa série de vertebrados extintos, estão, por exemplo, os tilacinos (uma espécie de marsupial carnívoro) ou tigres da-Tasmânia. Seu desaparecimento ocorreu no final do século passado.

No grupo de mamíferos de grande porte, os mais ameaçados na atualidade são os elefantes. A situação dos animais chega a ser dramática no continente africano.  Segundo relatório da Secretaria da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens (CITES), mais de 20 mil elefantes africanos foram caçados em 2013. No mês de maio deste ano, Satao, considerado um dos maiores exemplares no continente, com 45 anos, foi morto envenenado por caçadores, segundo a Organização para a Proteção da Vida Selvagem Tsavo Trust. Ele se torna um exemplo das ações indiscriminadas pelo mundo, para a comercialização ilegal de marfim. A cadeia desse comércio ilegal envolve China, Filipinas, Malásia, Quênia, Tanzânia, Uganda, Tailândia e Vietnã.

No caso dos invertebrados, a situação também é crítica e o estudo apurou que dos 67% das populações monitoradas, 45% já estão também em declínio. Um efeito cascata sobre o funcionamento dos ecossistemas e o bem-estar humano, de acordo com a síntese do relatório.

*Blog Cidadãos do Mundo - jornalista Sucena Shkrada Resk

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