Blog Cidadãos do Mundo - Sucena Shkrada Resk - Jornalismo socioambiental


Da terra do Sol nascente ao Brasil: quando a natureza se ‘veste’ de rosa, por Sucena Shkrada Resk

04/08/2014 20:25

 

Crédito das fotos: Sucena Shkrada Resk 

O céu de brigadeiro é o pano de fundo para um bosque forrado de cerejeiras em flor, cujas pétalas com o sopro do vento forram o gramado, com esse tapete natural. A visão é deslumbrante. O rosa suave se mescla a um tom mais intenso e a composição deste cenário, mantido no bosque do Parque do Carmo, na zona Leste de São Paulo, desde 1975, nos remete a outro lado do mundo: o Japão. Milhares de quilômetros de distância se aproximam com essa suavidade que encanta os ocidentais, proporcionada pela rica tradição oriental trazida pelos imigrantes e cultuada por várias gerações que aqui nasceram. São poucos dias de encantamento em agosto, mas que ficam perpetuados nas memórias e nas imagens captadas por quem um dia tem esta experiência e a repete, como eu.

Bosque das Cerejeiras, no Pq do Carmo - crédito Sucena Shkrada ReskBosque das Cerejeiras - Pq. do Carmo - crédito: Sucena Shkrada Resk

Na terra do sol nascente, muitas vezes também chamada do sol poente,  a sakura, como é mais conhecida, se tornou um símbolo nacional, a partir do século VII, e anuncia a chegada da Primavera, neste país com temperaturas tão extremas e resiliente, que foi o único no mundo a ser atingido por bombas atômicas na Segunda Guerra Mundial. Contemplar o belo é metaforicamente uma maneira de trazer bons fluídos à vida. Estima-se que haja mais de 300 variedades por lá e as espécies matrizes dessas rosáceas, do gênero prunus, têm sua origem na China e na Índia. Por aqui, os imigrantes japoneses cuidam desse pequeno universo oriental, que atualmente conta com cerca de 4,1 mil pés de cerejeiras, de acordo com o presidente da Federação Sakura e Ipê do Brasil, Pedro Yano. As variedades aqui cultivadas são a yukiwari, a himalaia, a oshima e a okinawa e cada uma tem sua época específica de florada.

Ficar sob essas árvores as contemplando (ritual do hanami) ou fazendo um piquenique são atitudes tradicionais dos japoneses, que foram incorporadas pelos nipônicos e pelos brasileiros que aprendem a cultura. Uma das cenas mais agradáveis de observar é a de anciãos, que participam destas vivências. Alguns, inclusive, com bengalas, não se intimidam em subir a pequena área íngreme para chegar ao bosque. Ao flagrar estes momentos, fica fácil compreender o quanto respeitam a natureza, que se veste de rosa, porque há um esforço coletivo para que isso aconteça. É a versão tropical ao vivo de trechos do clássico 'Sonhos', de Akira Kurosawa, de 1990. 


*Blog Cidadãos do Mundo - jornalista Sucena Shkrada Resk

 

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