Blog Cidadãos do Mundo - Sucena Shkrada Resk - Jornalismo socioambiental


Comunicação socioambiental:o trabalho de alinhavar a história, por Sucena Shkrada Resk

22/02/2013 20:11

As cronologias da história oficial e da não-oficial se fundem e se desprendem ao longo do tempo, quando tratamos da trajetória socioambiental. Geralmente o que nos ensinam formalmente está vinculado a documentos legais ou a grandes eventos de porte nacional ou mundial. Mas há um vasto universo de bastidores que costuram essas informações. Verdades, leituras, interpretações, como definir esse processo de apreensão de conhecimento e passá-lo adiante? Aí está o desafio permanente da comunicação socioambiental.

Com a experiência do dia a dia, o chamado pensamento complexo de Edgar Morin se torna uma das respostas cabíveis, para se fazer as conexões, em que há a objetividade e subjetividade nessa composição.
Ao falar da poluição veicular, por exemplo, podemos percorrer vários caminhos em uma matéria:

- conceito científico (toxicidade das substâncias químicas, partículas finas, ilhas de calor...);
- saúde ambiental (que envolve condições do entorno, de saúde pública – doença e retaguarda...);
- fala de entes envolvidos - humanização (órgãos públicos, especialistas em saúde, em mobilidade urbana, cidadãos comuns) – o “on” etc.
-- estatísticos (grade comparativa);
- dispositivos legais (municipais, estaduais, federais e tratados internacionais);
- fiscalização;
- contexto de mobilidade urbana;
- macroeconomia (mercado automotivo)
- pesquisas a respeito (poluição, saúde, inovação tecnológica, comportamento antropológico...)
- contextualização comparativa dos efeitos da poluição veicular e do desmatamento nas mudanças climáticas;
- efeitos de poluição de diferentes tipos de combustível;
- alternativas – cases de mudança de hábito (ciclistas, carona solidária, ...)

É um mosaico de referências possíveis de informações e de vivência que fazem parte de um único assunto e é enriquecido por uma linha que trafega no ontem, hoje e nas perspectivas futuras. Mas, por muitas vezes, caímos nas armadilhas de reportagens frágeis nesse diálogo contextual e isso faz com que o receptor receba “fragmentos” ou que o fato ou a informação seja “vendida” sempre como algo novo. Ou então, não há as chamadas suítes, que dão continuidade ao acompanhamento da pauta.

Por isso, no exercício comunicacional, hoje o que se constata é a falta de maior empenho na historicidade e na importância devida à memória, para que não nos tornemos facilitadores dos ruídos e da desinformação socioambiental.

Veja também no Blog Cidadãos do Mundo:
04/07/2012 - O pensamento ecologizado de Edgar Morin
13/01/2012 - Rio+20: O que fazemos com tanta informação

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