Chapada dos Guimarães: uma aula prática de Cerrado

12/07/2015 12:57

Texto e fotos: Sucena Shkrada Resk

Para qualquer lado que se olhe, o Cerrado é um bioma que revela cenários diferenciados, no Centro-Oeste brasileiro. A região da Chapada dos Guimarães, a cerca de 60 km de Cuiabá, Mato Grosso, é um dos locais mais especiais desse pedaço do Brasil, também estratégico para a manutenção dos recursos hídricos do Pantanal. Sim, tem esse papel de guardião, que talvez, poucos saibam. O relevo, a vegetação e a fauna compõem um mosaico que facilita ter uma aula prática sobre o bioma, que é um dos hotspots mundiais, que sofrem maior pressão antrópica que compromete sua conservação. A presença do Parque Nacional é um elemento importante, mas isso não isenta a necessidade de mais ações de educação ambiental atreladas às visitações, que na maior parte da unidade de conservação só pode ser feita com guias cadastrados, com agendamento prévio.

 

Uma, duas, três...é difícil dizer quantas vezes é necessário visitar e fazer uma imersão nessa região, para se ter um conhecimento mais detalhado dos recursos naturais presentes por lá. Para iniciar esse aprendizado, vale a pena ter a experiência de conhecer o trecho do mirante da Cachoeira Véu da Noiva (único que não precisa de acompanhamento de guia), cuja entrada fica a alguns quilômetros de distância da cidade da Chapada dos Guimarães, no km 50 da MT . O grau de dificuldade é baixo e a paisagem é exuberante, com floração, vales, chapadas (claro), mas com diferentes formações areníticas.

Um dos pontos com melhor vista panorâmica da Chapada fica em direção a Campo Verde. É o Centro Geodésico da América do Sul. De lá a vista nos leva “ao infinito”. É possível ver, inclusive, alguns pontos de Cuiabá. Contemplar é a palavra certa e se deixar atingir pelo vento, que por vezes, é gélido, exigindo agasalho.

 

Algumas cachoeiras de fácil acesso podem ser visitadas no entorno da cidade e se encontram em áreas particulares, que cobram pequena taxa de visitação. É o caso da Cachoeira do Marimbondo, entre outras. Um local agradável, com uma piscina natural no meio à mata. Mas o que não falta é opção no próprio parque, onde há um roteiro guiado só com cachoeiras. Esse ainda está na minha lista dos retornos, juntamente com a “cidade de pedra”, que só pude avistar da estrada.

Durante o mês de junho, fiz algumas incursões por lá, que registrei em imagens. Ter a oportunidade de conhecer esses diferentes “brasis” no Brasil dá uma sensação de pertencimento ainda maior a esta terra tão privilegiada, com uma biodiversidade e ecossistema que precisam ser conservados com seriedade para que as futuras gerações também possam desfrutar e preservar. Em anos anteriores, pude conhecer as Chapadas dos Veadeiros (GO) e Diamantina (BA), que também são singulares em suas características e importância, que me fizeram acreditar cada vez mais que o papel de nós, seres humanos, é de cuidadores, mesmo que não tenhamos consciência disso.

*Blog Cidadãos do Mundo - jornalista Sucena Shkrada Resk

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