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Castanheira viva, um sinal da floresta em pé

08/02/2015 12:01

crédito das fotos: Sucena Shkrada Resk

 Agricultores familiares em Novo Horizonte, Cotriguaçu, conservam mata em sítio - Foto: Sucena Shkrada Resk

Por Sucena Shkrada Resk

Mais que sombra, mais que frutos, a castanheira viva é símbolo da floresta em pé no bioma amazônico. Alta, soberana, se destaca na paisagem, mas depende de seus pares nativos de outras espécies para ficar vigorosa. Pode atingir até 50 m de altura e dois metros de diâmetro. Quando solitária, após ter seu entorno desmatado e, consequentemente, suas raízes afetadas, definha em um processo ascendente que resulta em um cenário triste. Seu tronco alto minguado, por muitas vezes, é apenas o que resta. Metaforicamente simboliza uma floresta que chora, apesar da legislação ambiental, em tese, a proteger.

Esse exercício de olhar é empírico. Uma prática de observação contínua. Tenho passado por esta experiência ao conhecer alguns locais no entorno da zona urbana de Cotriguaçu (MT), onde vivo e trabalho atualmente. Fazer essas associações é algo inerente à rede de relações sobre o processo de intervenção humana e reverberam na necessidade de uma prática mais harmoniosa no ato de “cuidar” da terra e da natureza. Os castanhais, apesar de aparentarem força e ter frutos com cascos resistentes, que podem ter uma média de 18 sementes, facilitando sua reprodução, são frágeis quando sofrem o isolamento. A sua maior presença hoje, além do MT, é registrada no AC, AM, PA e RO.

Quando vimos uma castanheira robusta rodeada por outras vegetações em áreas de recuperação, com planos de manejo em andamento, ao longo das estradas vicinais, ou onde deixam a floresta se regenerar, a sensação de equilíbrio é imediata. A umidade relativa muda e o crescimento é visto a olho nu. Cada espécie está lá num rito harmonioso da natureza e favorecem o ciclo ecossistêmico local. Emoção e tanto, diga-se de passagem. Esta Amazônia é que reflete o que de melhor o ser humano pode fazer nesta integração com o meio ambiente. Neste contexto, o processo de extrativismo da castanha sustentável ganha sentido prático. Não fica numa tônica de discursos vazios. 

Onde há conservação da floresta, castanheira se revigora - Foto: Sucena Shkrada Resk

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