Blog Cidadãos do Mundo - Sucena Shkrada Resk - Jornalismo socioambiental


A importância da discussão da água na Rio+20, por Sucena Shkrada Resk

02/03/2012 17:14

Hoje ao ler a matéria 2,7 bilhões de pessoas sofrem com escassez de água, veiculada no Estadão, e acompanhar as discussões que envolvem o VI Fórum Mundial da Água, que acontecerá, em Marselha, entre os dias 12 e 17, reflito o seguinte, no contexto da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20):

Se esse tema for menosprezado dentro das prioridades do encontro, realmente as soluções ficarão mais difíceis para a qualidade de vida no planeta. O tema está contemplado no draft zero (rascunho zero) à espera de uma discussão mais atenta e séria, de fôlego, de curto a longo prazo, tanto pelos governantes, como pelos representantes dos Major Groups (nove segmentos da sociedade civil – consumidores, trabalhadores, empresários, agricultores, estudantes, professores, pesquisadores, ativistas, comunidades nativas). Por outro lado, a pressão política a ser exercida pelo Fórum Mundial da Água ainda é uma incógnita.

Segundo Benedito Braga, que preside o Fórum, lá se reunirão ministros, parlamentares e prefeitos que discutirão em grupos divididos regionalmente nas Américas, Ásia Pacífico, África e Europa. “Teremos também um encontro presidencial de alto nível”, diz. Isso, em sua opinião, favorece uma discussão mais plural e com participantes ativos em decisões na gestão da água.

Ao mesmo tempo, no evento, haverá uma “vila de soluções”. “Recebemos mais de mil propostas e foi feita uma seleção que será apresentada lá. Por parte do Brasil, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentará o Projeto Bioma, encomendado à Embrapa, e a Governança Global da Água será um tema tratado por Vicente Andrew, diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), entre outros”.

Mais um assunto importante na agenda, de acordo com Braga, será o debate sobre a questão pública e privada da gestão da água e importância da reservação, no contexto das mudanças climáticas. O que sairá de concreto dessas discussões poderá ou não contribuir, no documento em construção da Rio+20.

Consumo insustentável
Em comunicado feito hoje pelo Centro de Informações das Nações Unidas –(UNIC Rio), o secretário-Geral da Rio+20, Sha Zukang, reforça que o padrão de consumo de recursos naturais no planeta é insustentável e tem de acabar”.

E mais adiante, afirma: “...Mais de um quinto da humanidade está gravemente privado de recursos, sem bens e serviços básicos, incluindo comida, ÁGUA e energia. No entanto, por outro lado, cerca de 20% da população mundial estão consumindo 80% dos recursos naturais. Coletivamente, os sete bilhões de pessoas na Terra estão consumindo cada ano mais de 1,3 vezes os recursos naturais do que a Terra pode renovar”.

Diante de todas as constatações sobre a água e demais recursos, será que o sinal de alerta não impacta nossos governantes, empresariado e nós, da sociedade em geral? Tudo tem a ver com consumo consciente e políticas públicas eficazes e a linha entre a vida e a morte.

O que é mais do que lógico nesses diagnósticos é que a necessidade emergente de mudanças de atos cotidianos fará a diferença nesse tabuleiro mundial de perdas e danos. Não podemos pensar que tudo depende somente das macro ações.

Zukang afirma que a grande diferença entre a ECO92 e a Rio+20 é que essa última tem a participação ativa dos ‘Major Groups’nos procedimentos oficiais, intervindo e participando de mesas redondas ao lado de Estados-Membros e organizações internacionais. Agora, resta saber o quanto estão se mobilizando e qual é o alcance de poder de intervenção nas mudanças de políticas públicas a serem adotadas pelas nações.

O tempo do ser humano não é o mesmo "tempo" do planeta e, por isso, estamos em déficit, sem condições de reverter possivelmente os cenários mais pessimistas, quando formos 9 bilhões, em meados dos anos 2050...Nossas pegadas hídrica, ecológica...estão muito além do ponderável faz tempo.

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